TV Jaguar

Postado em 10/07/2020 às 15:00:00

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Brasil vira terra da ‘água com CNPJ’. Água no Brasil não é do povo, tem dono rico, CNPJ e vale milhões de reais.

Brasil vira terra da ‘água com CNPJ’. Água no Brasil não é do povo, tem dono rico, CNPJ e vale milhões de reais.

A privatização do líquido, indispensável à vida humana, é uma ameaça que faz com que as desigualdades sociais tão latentes no nosso país assumam proporções assustadoras e desumanas. Especialistas alertam que com a aprovação do PL 4162/2019, o PL do Saneamento, no Senado, a situação tende a piorar, e muito. Atualmente, a sobrevivência de milhares de brasileiros é um martírio cruel, mas inimaginável para quem abre a torneira e tem água limpa à disposição quando quer.

Nos rincões mais miseráveis, onde trabalhadores brasileiros têm menos valor do que gado, pessoas padecem com sede, enquanto açudes, cercados por muros, enriquecem multinacionais e grandes fazendeiros. Empresários e latifundiários buscam o lucro a qualquer preço, já os que estão abaixo da linha da pobreza se tornam cada vez mais vulneráveis, tentando sobreviver em um cenário dramático e subumano. Para a coordenadora da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), Cristina Nascimento, a privatização não é sinônimo de universalização do serviço.

“Nossa experiência mostra que é um risco para os mais pobres. Os empresários querem lucro. A centralidade deles é pelo lucro, não pelo serviço e pelo acesso ao direito”

Ela recorda que a concessão da energia elétrica e telecomunicações à iniciativa privada não melhoraram os serviços e nem o acesso. O que vimos com a privatização da energia, quem efetivamente conseguiu colocar energia para a população do campo, que vive de forma difusa, foi o Estado. Com a privatização da água, a perspectiva é essa, que vemos nos processos de privatização

Em reunião ministerial, o titular do Meio Ambiente, Ricardo Salles, declarou que o governo deveria aproveitar a pandemia para “passar a boiada”. E parece ser exatamente isso que está sendo feito. Sem escrúpulos, políticos das mais variadas bancadas compram as demandas capitalistas, cujo foco único é lucrar mais e mais, e aprovam projetos que deixam os ricos cada vez mais ricos, arruinam a natureza, transformam mananciais e reservas hídricas em commodities e deixam os pobres e excluídos cada vez mais à margem da sociedade.

 

O governo de Jair Bolsonaro, com a sustentação de senadores e deputados, presta um grande desserviço à sociedade brasileira. Com a desculpa de democratizar o acesso ao saneamento básico está retirando direitos da população de baixa renda, mercantilizando um bem que é natural e que está migrando para as mãos de uma pequena, mas milionária, elite.
O sertão, onde a seca histórica virou moeda de troca para manter os trabalhadores explorados e como bichos, é exemplo clássico de que não falta água no Nordeste, mas sim, vontade política para que o líquido chegue às casas dos sertanejos. A hora é de resistência, ou a morte será certa. À míngua. Famintos e sedentos, como crianças com as caras coladas no vidro de uma padaria vendo os doces sem poder pegá-los.

 

 

Fonte: balaiada.com

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