TV Jaguar

Postado em 02/12/2021 às 16:00:00

compartilhar

PIB do Brasil cai 0,1% no 3º trimestre e país entra em recessão técnica

PIB do Brasil cai 0,1% no 3º trimestre e país entra em  recessão técnica

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil caiu 0,1% no 3º trimestre de 2021, na comparação com os três meses imediatamente anteriores, confirmando a entrada do país em uma nova recessão técnica, segundo divulgou nesta quinta-feira (2) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação a igual período de 2020, houve crescimento de 4%.  Os dados oficiais reforçam a leitura de forte desaceleração da recuperação da economia após o PIB ter conseguido retomar no início do ano o patamar pré-pandemia.

A recessão técnica é caracterizada por dois trimestre seguidos de retração. A última tinha sido registrada nos dois primeiros trimestres de 2020, quando o PIB encolheu 2,3% e, em seguida, 8,9%. O resultado do 2º trimestre do ano foi revisado para uma queda de -0,4%, contra leitura inicial de queda de -0,1%. O IBGE também revisou o resultado da alta do 1º trimestre, de 1,2% para 1,3%.

"O PIB está no patamar do fim de 2019 e início de 2020, período pré-pandemia, e ainda está 3,4% abaixo do ponto mais alto da atividade econômica na série histórica, alcançado no primeiro trimestre de 2014", destacou o IBGE. O resultado veio um pouco pior do que o esperado. A expectativa em pesquisa da Reuters era de estabilidade no 3º trimestre sobre os três meses anteriores.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e é o principal indicador usado para medir a evolução da economia. No acumulado do ano até setembro, o PIB avançou 5,7% contra igual período do ano passado. Na soma dos últimos 4 trimestres, o avanço é de 3,9%.

 

Principais destaques do PIB no 3º trimestre:

  • Agropecuária: -8%
  • Indústria: zero
  • Serviços: 1,1%
  • Consumo das famílias: 0,9%
  • Consumo do governo: 0,8%
  • Investimento (FBCF): -0,1%
  • Importação: -8,3%
  • Exportação: -9,8%
  • Construção: 3,9%
  • Comércio: -0,4%
  • Indústria de transformação: -1%
  • Indústria extrativa: -0,4%

 

O que puxou a queda

Apesar da alta de 1,1% nos serviços, que respondem por mais de 70% do PIB nacional, a queda no 3º trimestre foi pressionada para baixo por conta da queda de 8% na agropecuária e também pela queda de 9,8% nas exportações de bens e serviços.

Já a indústria, que responde por cerca de 20% do PIB, ficou estagnada, afetada pelo encarecimento dos insumos e outros problemas na cadeia produtiva, além da crise energética.

Segundo o IBGE, o forte recuo na agropecuária foi consequência do encerramento da safra de soja, que também acabou impactando as exportações. Foi o pior tombo trimestral do setor desde o 1º trimestre de 2012 (-19,6%).

“Como ela é a principal commodity brasileira, a produção agrícola tende a ser menor a partir do segundo semestre. Além disso, a agropecuária vem de uma base de comparação alta, já que foi a atividade que mais cresceu no período de pandemia e, para este ano, as perspectivas não foram tão positivas, em ano de bienalidade negativa para o café e com a ocorrência de fatores climáticos adversos na época do plantio de alguns grãos”, explicou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

 Já o crescimento dos serviços foi puxado por outras atividades (4,4%), que reúnem os serviços prestados às famílias.

“Com o avanço da vacinação contra Covid-19 e o consequente aumento da mobilidade e reabertura da economia, as famílias passaram a consumir menos bens e mais serviços”, destacou a pesquisadora.

Cinco atividades de serviços apresentaram crescimento: outras atividades de serviços (4,4%), informação e comunicação (2,4%), transporte, armazenagem e correio (1,2%), administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,8%). As atividades imobiliárias (0,0%) ficaram estáveis e apenas as atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (-0,5%) e comércio (-0,4%) registraram queda.

"A queda nos serviços financeiros se deve em grande parte ao aumento nos sinistros de planos de saúde, por causa da pandemia”, observou Palis.

 

 

 

Fonte: G1

Comentários 0

Para comentar o internauta precisa está cadastrado e logado.

LOGAR CADASTRAR

“Os comentários não representam a opinião do portal; a responsabilidade é do autor da mensagem.”

Veja também