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Postado em 09/06/2022 às 10:00:00

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20 policiais acusados de participação em chacina no Ceará são autorizados a retornarem às ruas

20 policiais acusados de participação em chacina no Ceará são autorizados a retornarem às ruas

Uma decisão do juiz Otávio Oliveira de Morais da comarca de Milagres, na Região do Cariri do Ceará, aceitou nesta quarta-feira, 08, o pedido da defesa para que 20 policiais militares acusados de envolvimento na morte de 14 pessoas retornem para as atividades ostensivas. Ou seja, o trabalho de patrulhamento nas ruas do estado, exceto em Milagres.

A chacina ocorreu em 7 de dezembro de 2018, quando uma quadrilha armada fez pessoas reféns e tentou atacar duas agências bancárias no município. Esses 20 agentes de segurança que atenderam a ocorrência trocaram tiros com os criminosos e, segundo investigações judiciais, foram os responsáveis pelos disparos que mataram seis reféns e oito criminosos.

A decisão da Justiça autoriza os policiais a trabalharem no patrulhamento sem que eles tenham contato com testemunhas que foram ou serão ouvidas para a continuidade do processo. Desde 2019, os policiais militares estavam fora das atividades ostensivas por determinação judicial.

O juiz Otávio Oliveira de Morais disse na decisão que o afastamento dos policiais prejudicava o serviço de segurança no estado.

 

Fraude processual

Além de homicídio, os policiais militares são acusados de fraude processual, pois tentaram apagar as provas da ação.

Em dezembro de 2020, o tenente-coronel suspeito de modificar a cena do crime pediu a suspensão dos efeitos do afastamento imposto pela Controladoria-Geral de Disciplina para voltar ao trabalho. Essa foi a última movimentação no processo, mas o Tribunal de Justiça do Ceará negou na época.

 

Passo a passo da tragédia

  • A tentativa de roubo aconteceu por volta de 2h17 da madrugada. Houve confronto entre os policiais e os criminosos. Diversos carros da PM foram usados para conter a quadrilha. Devido à ação da Polícia Militar, o grupo criminoso não conseguiu levar o dinheiro de nenhum dos estabelecimentos bancários. As duas agências ficam na Rua Presidente Vargas, no Centro do município, que tem 28 mil habitantes.

 

  • Por volta de 21h30, uma família sai de Serra Talhada, em Pernambuco, para pegar familiares que viajavam de São Paulo para Juazeiro do Norte, no Ceará. João Batista foi junto com o filho, Vinícius, para receber a cunhada, Cleoneide; o marido dela, Cícero Bertolone; e o filho do casal, Gustavo

 

  • Uma segunda família, de Brejo Santo, no Ceará, também segue a aeroporto de Juazeiro do Norte para receber familiar

 

  • As duas famílias saem juntas, em dois veículos, de Juazeiro do Norte de volta as suas respectivas cidades, uma para Serra Talhada e outra para Brejo Santo

 

  • Na BR 116, na altura da ponte sobre o riacho Tamandu, que dá acesso à cidade de Milagres, e trecho em comum de ambas as famílias, criminosos usam um caminhão bloqueando a estrada e faz as duas famílias reféns

 

  • Oito pessoas, das duas famílias, são levadas como reféns até o centro de Milagres, onde ficam as agências do Banco do Brasil e Bradesco.

 

  • Durante o crime, o pai de um homem identificado como Genário, de Brejo Santo, passa mal, e o filho pede para que ele cuide do pai; ambos são liberados pelos criminosos. A irmã de Genário, Francisca Edenice, continua como refém dos criminosos

 

  • Os cinco membros da família de Serra Talhada continuam como reféns

 

  • Policiais militares chegam ao local do crime e trocam tiros com os criminosos. Catorze pessoas morrem, sendo pelo menos seis reféns e pelo menos seis criminosos. Destas seis, cinco são os membros da família de Serra Talhada (PE) e um da família de Brejo Santo




 

 

Fonte: G1 Ceará

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