TV Jaguar

Postado em 02/07/2017 às 07:00:00

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Tudo muda... pra nada mudar! Reflexão do sociólogo Marcelo Castro sobre a política limoeirense

Tudo muda... pra nada mudar! Reflexão do sociólogo Marcelo Castro sobre a política limoeirense
Foto: Ilustrativa/ (imagens da internet)

Em 1982, na disputa mais acirrada da história de Limoeiro, entre Wilson Holanda e Careca, se iniciou o atual ciclo político. Há 35 anos atrás Careca sagrava-se prefeito, seu vice era o jovem odontólogo João Dilmar, que no pleito seguinte, em 1988, sucedeu Careca. O vice de Dilmar foi Julião, que depois virou deputado estadual. Esses dois mandatos (Careca-Dilmar) foram marcados pelo empreguismo, nepotismo e por ações populistas no desporto.

Em 1992, um grande acordo leva Ademar Celedônio a chefia do poder municipal, tendo como vice o médico Dr. Reuber, protagonizando a pior gestão da história da cidade, onde o abandono administrativo e as suspeitas de corrupção foram a tônica. No pleito seguinte, em 1996, o povo queria mudanças, queria tanto, que houve o recorde de candidatos a prefeito: 6 no total, porém apenas 5 deles mostraram-se candidaturas competitivas (falo de Careca, Dilmar, Julião, Reuber e Laurinho). Por uma pequena margem de votos, Careca voltou ao comando do executivo, agora tendo como vice Elizete Duarte, irmã do já deputado Paulo Duarte.

Era ano do centenário da cidade e o segundo governo de Careca só teve folego gerencial até o “cortar do bolo”. Seus 3 últimos anos de governo pareciam querer competir com o desastre de Ademar. E assim, em 2000, mais uma vez o povo quis mudança... a cidade se dividiu entre 3 fortíssimas candidaturas (Arivan, Dilmar e Paulo), e Arivan Lucena, por encarnar melhor esse sentimento de mudança venceu por uma estreita margem. Seu governo foi marcado por austeridade fiscal e autoritarismo político, seus confrontos com a câmara atingiram o ápice em uma CPI que culminou com sua efêmera cassação. Sua postura truculenta fez a oposição se unir e indicar, no pleito seguinte em 2004, a chapa Dilmar e Elizete, que se sagrou vitoriosa. A aliança durou pouco e antes do fim do mandato Dilmar e Paulo romperam.

O governo de Dilmar foi marcado, além do empreguismo tradicional, pela obra do saneamento, que durou por quase todo mandato e, junto com o Centec (fruto do esforço do deputado federal Ariosto Holanda), são as duas únicas obras de grande impacto que este ciclo de 35 anos nos deixou. Em 2008, Dilmar recompõe sua aliança se aproximando das forças políticas de esquerda e agrega PSB e PT a sua chapa. Nonato Pinheiro torna-se seu vice (e também rompe antes do fim) e seu terceiro mandato como prefeito volta aos padrões recorrentes do binômio empreguismo-assistencialismo. A população, cansada, recorre mais uma vez a “alternância” e elege, em 2012, a chapa Paulo Duarte e Marcos Coelho. No meio do mandato, Marcos torna-se o 4º vice consecutivo a romper com o seu companheiro de gestão e o mandato de Paulo só não superou o de Ademar no quesito abandono físico (falo da presença do prefeito na cidade), nos demais critérios Paulo ou se iguala ou chega bem perto dos feitos de Ademar. Fruto disso, em 2016, presenciamos o maior clamor por mudanças já registrado na nossa história e a chapa José Maria Lucena e Dilmar consagram-se com a maior votação já recebida em uma eleição de Limoeiro. Ainda é cedo pra uma avaliação mais profunda, mas os primeiros seis meses de Zé Maria já estão marcados por grandes contradições, vemos ao lado de medidas que apontam austeridade (como a diminuição de cargos e salários) a continuidade do tradicional empreguismo, o que gera desconfiança e apatia, como se estivéssemos revendo desanimadoras cenas já vistas.

Nestas linhas tentei resumir os últimos 35 anos da disputa local e a conclusão que tiro é a seguinte: Eles (essa elite política que surgiu em 1982) parecem ser grupos, e grupos diversos e antagônicos, mas não são. São iguais no que pensam e no que fazem. São iguais no empreguismo, no populismo, na falta de ideias, nas vaidades, e sobretudo nos conchavos, tanto, que todos já estiveram com todos. Aliás, nisso (nos conchavos) Eles são bons, e são tanto, que nos fazem pensar que são muitos e diversos. Quando não são. Nesses 35 anos Eles fizeram o que daria pra fazer em 4 anos (o saneamento e o Centec foram feitos nesse tempo), Eles viraram a lógica do slogan de JK (de 50 anos em 5) ao avesso.

Em Limoeiro, esse ciclo político produziu, resumidamente, isso... 4 anos em 35. E o pior é saber que em todas as vezes que a população quis mudar fomos refém dessa ilusão que os conchavos produzem (de que Eles são diferentes entre si). Zé Maria foi o grande articulador da vitória de Careca em 82, e hoje, depois de ter sido aliado direto ou indireto de todos (repito: todos) os políticos vivos deste ciclo, é, enfim, o prefeito. Com ele este ciclo começou, e nele, 35 anos depois, este ciclo está. Em Limoeiro é assim: tudo muda... pra nada mudar.

MUITO OBRIGADO!

Faço dessas minhas últimas palavras neste querido Jornal e comunico aos leitores que encerro minha contribuição nesta última coluna política com o coração cheio de gratidão aos coordenadores deste Jornal, em especial a Edjanir e Marilack, e especialmente grato ao conjunto de leitores que consegui dialogar nestes anos que aqui me expressei. A vocês, meu sincero Obrigado!

 

 

Fonte: TV Jaguar/ Marcelo Castro

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