TV Jaguar

Postado em 14/07/2017 às 16:30:00

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Brasil, um país esquizofrênico

Brasil, um país esquizofrênico
Foto: Ilustrativa/ Internet

Podemos entender a democracia nos dias atuais como uma maneira de se institucionalizar conflitos numa sociedade, de modo que existem as várias camadas da sociedade buscando seus próprios interesses, e temos o Estado como ferramenta para arranjar e rearranjar tais conflitos. Diante dos vários acontecimentos ocorridos nos últimos tempos -2013/2017-, o Brasil parece estar enfrentando uma espécie de 'esquizofrenia coletiva', pois ninguém parece fazer a mínima ideia do que está acontecendo no cenário político-social atual.

A crise não é apenas político-econômica, é cultural e social, é uma crise de identificação, onde o paradoxo existente é algo que oscila sempre entre populismo e indiferença. O momento no país é histórico. Por definição, temos os três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – como representantes do Estado democrático de direito, mas o que vemos hoje são instituições que não representam, de fato, os interesses da sociedade. Malgrado o MPF estar conduzindo responsavelmente a operação lava jato e ''passando o país a limpo'', percebemos que o Estado brasileiro passa por um momento de anomia. Seria um exagero ao afirmar que as instituições republicanas estão ‘carcomidas’, mas o baixo índice de aprovação dos principais nomes da política nacional, a falta de confiança na política pelas pessoas e a falta de representatividade efetiva, fazem com que as críticas da opinião pública sejam justificadas.

A incoerência da esquerda ' - e também a da direita -, que, de certa forma, tornam saudáveis o exercício da democracia em seu nível abstrato, não é apenas imensurável do ponto de vista ético, moral e político, mas também do ponto de vista do Estado democrático de direito. É a exata fundamentação da ignorância sobre qual é a real situação do Estado brasileiro; a inocência útil é a exata representação do que significa a política no Brasil: O tripé PMDB/PT/PSDB. Eles representam com exatidão a tal da ‘esquizofrenia coletiva’ que o país vem enfrentando nos últimos tempos (1988-2016/2013-2017).

O discurso político-partidário tem sim um papel importante para que as instituições sejam funcionais e democráticas, mas o caso do Brasil parece ser uma exceção. Por definição, a ciência política estuda as relações de poder numa determinada sociedade, buscando fazer uma análise prudente e sem exageros em seu diagnóstico. Mas vendo o que se passa atualmente no país percebemos que enxergamos um futuro incerto; para a política e para as gerações futuras. A democracia parece ter perdido seu sentido efetivo. Encadeamentos que antes estavam interligados parecem hoje em dia termos que não passam de palavras jogadas e sem significado. Estado, democracia e direito perderam seus valores.

A onipotência da maioria é outro problema que faz com que a democracia seja difícil de ser entendida. Segundo Tocqueville (2005, p.238) “Aos olhos da democracia, o governo não é um bem, é um mal necessário”. No Brasil, ele não é tratado apenas como um bem. Vai além: é um balcão de negócios para os 'Capitalistas de Estado', é o ‘Estado-Odebrecht’ legitimado. Claro que, de um ponto de vista maturo da ciência política, o Estado democrático brasileiro demorou a ser construído; as bases eugênicas na formação do pensamento político brasileiro, as oligarquias, golpes de estado em demasia, o atraso tecnológico e outras tantas questões impediram seu desenvolvimento.

Algumas mudanças significativas ocorreram, mas o Brasil ainda é o país do futuro. Mas esse futuro faz com que o Brasil seja um eterno país em desenvolvimento, que precisa acordar logo. A separação de poderes e o respeito dos direitos fundamentais são garantias institucionais inalienáveis, são instrumentos importantíssimos para que a república seja realmente declarada no Brasil. O voto obrigatório, por exemplo, precisa ser revisto. A forma e o sistema de governo também. Mas tudo isso não pode ser realizado sem uma base educacional que realmente desenvolva pessoas, sem leis trabalhistas realmente sólidas, sem uma qualificação profissional produtiva, sem uma economia firme e sem uma tecnologia desenvolvida.

O Brasil ainda está amadurecendo sua democracia e precisa rever muitos dos seus conceitos de liberdade – econômica e individual, de associação civil etc -, de Estado e de governo. Enfim, os problemas para o exercício da democracia hoje em dia passam pelo dever em estudarmos e problematizarmos o que podemos chamar de: Efeitos colaterais da democracia.

Samuel Alves é bacharel em Comunicação Social pela UFRN (2015) - habilitação em Rádio e TV. Produziu o Documentário 'Atualmente'. Foi aluno especial do Mestrado no Programa de Pós-graduação em Filosofia (PPGFIL) da UFRN (2017.1); Disciplina: Seminário de filosofia política III. Atualmente, cursa a especialização em Ciência Política pela Universidade Estácio de Sá.

 

 

Fonte: Tv Jaguar / Samuel Alves

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