TV Jaguar

Postado em 08/10/2017 às 13:00:00

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Acesso difícil é um dos entraves aos lotes irrigados

Acesso difícil é um dos entraves aos lotes irrigados

Além da dificuldade de escoamento da produção por conta do acesso ruim, os produtores queixam-se da falta de assistência técnica. Outro projeto produtivo que foi implantado parcialmente no Complexo do Açude Castanhão é o Curupati Irrigação. É mais um exemplo que o setor agrícola não avançou.

O acesso à
terra foi assegurado para as famílias transferidas para as vilas rurais. Obtiveram casas, lotes, água e energia para a irrigação de fruteiras, mas faltaram assistência técnica e apoio para comercialização dos frutos.

Um dos principais entraves é o acesso, que é feito por uma rodovia de terra com pedrinhas soltas e muita poeira, em um trecho de 22Km, a partir da BR-116. A trepidação é intensa. "Prometeram asfalto, mas, até hoje, não foi feito e a precariedade da estrada fez com que muitos compradores de frutas desistissem", disse o vereador, Daniel Gonçalves. "Os produtores ficaram largados à própria sorte".

Projetos produtivos não se concretizaram em Jaguaribara

O projeto dispõe de lotes irrigados para o cultivo de goiaba, banana, mamão, feijão e macaxeira. Os produtores reclamam da precariedade da estrada, inatividade do galpão de armazenamento e seleção de frutas, além da falta de assistência técnica.

Soma-se a essa queixa, que já dura 14 anos, o medo de que a água para a irrigação seja reduzida ainda mais, com queda na produção. "Do jeito que a situação está, pode haver até uma paralisação dos plantios e isso seria um prejuízo enorme", disse o fruticultor Ivaneudo Diógenes, que nos últimos anos dedicou-se ao cultivo de banana prata catarina e goiaba paloma.

Há um ano, o Diário do Nordeste visitou o projeto. Doze meses depois, o quadro se agravou com a escassez de água. O Açude Castanhão acumula apenas 4% de sua capacidade e a água está cada vez mais distante.

No projeto Curupati Irrigação, até agora, só foram implantados 180ha ( primeira etapa). O projeto total prevê 480ha irrigados, divididos em lotes de 3ha para as famílias assentadas na agrovila. "Estamos cansados de esperar e muitos já desistiram e repassaram seus lotes para outras pessoas", afirmou o agricultor Francisco Souza. "O galpão de estocagem e seleção não funciona e não há apoio para comercialização dos frutos por um preço melhor do que o valor pago no mercado regional".

O produtor de banana Francisco Avelino Rodrigues, 35, deixou a atividade de agente rural em Tabuleiro do Norte, casou e veio morar com a mulher, cuja família recebeu uma casa e lote. "Apesar das dificuldades, acho que a situação melhorou, pois não dependemos de patrão. A gente trabalha e tem renda própria. Mas a verdade é que aqui está longe de ser o que prometeram", destacou.

Entre os lotes ativos, há áreas abandonadas de cultivo de fruteiras e outros totalmente ociosos, com vegetação cinza, um contraste. "Lamentavelmente, o projeto de irrigação não funciona como estava previsto", disse a religiosa irmã Bernadete, uma das vozes que por mais de dez anos acompanhou a luta e o sofrimento dos produtores rurais. "Havia reuniões, grupo de acompanhamento, mas tudo isso ficou para trás".

O vereador Daniel Gonçalves lamenta a falta de atenção do governo para a pavimentação asfáltica da estrada que dá acesso ao núcleo produtivo Curupati Irrigação. "A gente lê nos jornais, ouve nas rádios, que o governo construiu estradas asfaltadas entre distritos, em vários municípios, nos últimos anos, mas esqueceram de nós", disse.

A secretária de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Pesca de Jaguaribara, Lívia Barreto, disse que, ao longo dos anos, foram apresentadas reivindicações ao governo do Estado e ao Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs) para consolidação dos projetos, mas as demandas não foram atendidas em sua totalidade.

 

 

Fonte: Tv Jaguar / Diário do Nordeste

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