TV Jaguar

Postado em 05/12/2017 às 17:00:00

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XI Encontro Mestres do Mundo do Ceará reuniu mais de 50 Tesouros Vivos da cultura popular

XI Encontro Mestres do Mundo do Ceará reuniu  mais de 50 Tesouros Vivos da cultura popular
Foto: Divulgação

A XI edição do Encontro Mestres do Mundo do Ceará, evento promovido pela Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult), foi realizada em Limoeiro do Norte, de 29 de novembro a 02 de dezembro. No total, 56 mestres e mestras, bem como integrantes dos seus grupos de cultura popular, participaram das rodas de saberes e das apresentações ao público. Mais de 8.000 (oito mil) pessoas circularam pelo “Território das Delicadezas” durante os quatro dias, de acordo com a organização do Encontro.

O território foi uma das novidades dessa edição, que ocupou novos locais, como a Praça Maestro Odílio Silva (conhecida como Praça da Rodoviária), onde foi instalada a Arena dos Mestres para as apresentações artísticas, e a Feira e Mostra Gastronômica de Artesania Familiar; integrados ao Espaço de Saberes Múltiplos, que funcionou na Escola Normal e na Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos (FAFIDAM/UECE) que receberam as Rodas de Saberes, oficinas, seminário e demais integrações entre os Mestres e o diversificado público presente.

Esse ano, mestres e mestras do Ceará receberam das mãos do secretário de Cultura do Estado, Fabiano dos Santos Piúba, e da secretária adjunta, Suzete Nunes, o certificado do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade. O mais importante prêmio do Brasil em patrimônio cultural foi conferido à Secult pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2017, em reconhecimento pela iniciativa cearense na realização do Encontro Mestres do Mundo, por comunicar, interpretar, divulgar, difundir e educar sobre o Patrimônio Cultural, material e/ou imaterial, às atuais gerações. A celebração dessa premiação foi festejada também no XI Encontro com a entrega da carteira de identidade cultural aos Mestres e Mestras.

Ainda dentro dos festejos no Encontro, foi anunciado com vibração pelo secretário titular da Secult, Fabiano dos Santos, que até fevereiro de 2018 novas titulações de Mestres e Mestras, Grupos e Coletividades ampliarão os raios de atuação dessas personalidades, que na sobrevivência de seu cotidiano, desenvolvem técnicas, ofícios, brincadeiras, rezas e alimentos, garantindo a tradição e a memória de seus ancestrais com projeções para o futuro. Apesar de concordar que o número de Mestres da Cultura Popular cearense ainda não seja o ideal para apoios do Estado, a iniciativa já é uma vitória pelo aumento contínuo dessas titulações de Mestres, desde o lançamento da honraria em 2003, que atingem às metas do Plano Estadual de Cultura.

“Esse foi o melhor de todos os anos. Fomos muito bem recebidos, com a maior delicadeza. Foi uma realização muito importante desse povo de Limoeiro. Uma festa tão bonita como essa feita por gente tão unida e alegre!”, disse Mestre Aldenir, que veio do Cariri ao XI Encontro. Mestra Mazé, da Cultura Junina, concorda: “Gostei demais dessa edição, da organização e da energia das pessoas. Assim você vê os mestres cada vez mais animados”.

Segundo Alênio Carlos, coordenador de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural da Secult, “foi uma oportunidade única para cada um de nós, vivermos e experimentarmos as raízes do mundo inteiro, através dos mestres e mestras da cultura, que vindo de seus territórios, trazem a potência e alegria das expressões culturais tradicionais. O encontro foi uma imersão profunda nesse Brasil, africano, indígena, cigano, mestiço, plural, híbrido, multicultural, sendo a diversidade cultural a nossa maior riqueza”.

O Encontro Mestres do Mundo está consolidado no calendário da cultura no Ceará como uma ação de democratização do acesso aos bens e serviços culturais que vem atender à necessidade de criar espaços para a transmissão de saberes prevista na Lei Estadual nº 13.842, que instituiu o programa Tesouros Vivos do Ceará. Desde 2003, foram diplomados 79 Mestres da Cultura, 09 grupos e 01 coletividade, reconhecidos como detentores dos saberes da cultura popular tradicional, patrimônio imaterial do Estado do Ceará.

Trocas de Saberes pelos Encantados e Municípios do “Terra Mãe”

Nessa edição, com produção do Instituto Assum Preto de Arte, Cultura, Cidadania e Meio Ambiente, instituição selecionada por meio de edital lançado pela Secult, durante os quatro dias do Encontro foram realizadas oficinas com o mote “Saber dos Encantados”, ministradas por Mestres e Mestras ou componentes de seus grupos. Também aconteceram aulas espetáculos e oficinas itinerantes e atividades formativas em outras cidades, contemplando as cidades de Tabuleiro do Norte, Quixeré, Russas, Alto Santo e Morada Nova, nas extensões por esses municípios, nomeadas de “Terra Mãe”.

Já nas Rodas de Trocas, os Tesouros Vivos compartilharam saberes entre si e a comunidade, tendo como fio condutor da vivência o tema “Corpo, Sons, Mãos, Oralidade e Sagrado”, e participações de outros mestres de várias regiões do Brasil. Tendo em vista o fortalecimento das políticas de patrimônio, também foi realizado o FAFIDAM, o Seminário Interdisciplinar de Patrimônio Imaterial, com o tema “Além da Carta de Fortaleza – uma trajetória de desafios avanços, reafirmações e novas proposições para o patrimônio imaterial cearense”.

Gastronomia e Artesania

Esse ano, os moradores e visitantes de Limoeiro do Norte também foram atraídos ao “Território das Delicadezas” para reconhecerem a produção artesanal dos Mestres e Mestras da cultura e de parceiros produtores na Feira e Mostra Gastronômica de Artesania Familiar. Enquanto Mestra Branquinha apresentava suas criações em barro, e o Mestre Pedro, balaieiro com orgulho, encantou a todos com acessórios e utilidades para casa, Mestre Espedito Seleiro mostrou como a cultura popular dialoga com a moda e o design. No total, 16 expositores tiveram oportunidade de comercializar suas produções na feira.

Já a culinária regional foi muito bem representada por produtores locais, que comercializaram desde pratos típicos – como panelada, figada e buchada – até broas; tapiocas de forno; bolos de milho, batata doce e macaxeira; além de doces de caju e o tradicional “quebra queixo”.

Homenagens

A noite de sexta-feira (01/12) foi marcada por muita emoção. Em reconhecimento pela atuação e dedicação na construção de uma política de valorização dos Tesouros Vivos da cultura popular do Ceará, receberam homenagens da organização do XI Encontro Mestres do Mundo, a ex-secretária de cultura do Estado, Cláudia Leitão; a produtora cultural Catarina Quintela; o teatrólogo Oswald Barroso; e a fundadora do Grupo Mira Ira – Folclore do Instituto Federal do Ceará (IFCE), Lourdes Macena; em reconhecimento pelo envolvimento e colaboração junto aos mestres do mundo.

Música e cultura

Dentre as apresentações artísticas das mais diversas manifestações da cultura popular, principalmente do Ceará, o encontro trouxe grupos de outras regiões do país e do mundo, como o grupo de Candombe, Comparsa Cenceribó (Uruguai) – declarado Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco); e os representantes da Comunidade Negra dos Arturos (Minas Gerais) - a primeira comunidade negra do Brasil a ser reconhecida como Patrimônio Cultural.

“Somos o único grupo afro da América Latina a tocar Candombe, e viemos fazer uma mostra desse ritmo para compartilhar com o público e, especialmente, com os Mestres e Mestras da Cultura Popular. Esse é um momento de aprendizados, trocas e misturas sonoras. Apesar de sermos um grupo que é mais de percussão, integrado à dança e à estética própria, adoramos as combinações da nossa musicalidade com as de outros grupos”, declarou Marcelo Fernandez, do grupo uruguaio Candombe, Comparsa Cenceribó, que teve a oportunidade de conhecer melhor a musicalidade da Banda Fulô da Aurora, do Cariri (CE).

Outra novidade nessa edição foram as atrações infanto-juvenis, que abriam a programação, com objetivo de disseminar a cultura popular junto às futuras gerações. A Arena dos Mestres também foi palco de apresentações musicais representativas da cultura popular, como a do cantor e poeta Mário Lúcio (Cabo Verde), dos grupos cearenses Fulô daAurora e Dona Zefinha, além da cantora de cirandas Lia de Itamaracá (Pernambuco), que encerrou o encontro, na noite de sábado (02), após a apresentação que deu voz a todos os Mestres e Mestras do Ceará que compareceram esse ano.

 

 

Fonte: TV Jaguar/ Assessoria

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