TV Jaguar

Postado em 29/01/2019 às 10:00:00

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Em Pereiro população sofre com seca e racionamento de água há 5 anos

Em Pereiro população sofre com seca e racionamento de água há 5 anos
FOTO: HONÓRIO BARBOSA

Os cerca de 16 mil habitantes da cidade de Pereiro, no Vale do Jaguaribe, estão recorrendo a poços profundos e dependem do abastecimento de carros-pipa. Em muitos casos, se veem obrigados a comprar água potável.

Já faz cinco anos que a gente vem sofrendo sem água nas torneiras. Os invernos têm sido fracos, o açude continua seco e o jeito é comprar água para tudo. Para beber, para o banho e limpeza geral da casa. Quem mora aqui enfrenta muitas dificuldades. O relato é da dona de casa Maria de Lourdes Martins, moradora da cidade serrana de Pereiro, na região do Vale do Jaguaribe.

O município de 16 mil moradores, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é um dos que enfrentam desde 2014 grave crise de desabastecimento de água, no Ceará, ao lado de Boa Viagem, nos Sertões de Canindé. Atualmente, a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) atende menos de 20% dos moradores da área urbana.

Os moradores da cidade de Pereiro enfrentam racionamento há cinco quatro anos. O rodízio faz com que a água só chegue às torneiras uma vez por semana, e ainda assim, nas áreas baixas, pois nas casas em bairros altos, como nas unidades populares, a falta de água é permanente. As famílias de baixa renda sofrem ainda mais. Dependem dos caminhões-pipa e precisam comprar água potável para beber por um preço que para a maioria é salgado.

Crise hídrica

O colapso de água modificou a paisagem urbana. Nas esquinas e calçadas há caixas de água de polietileno com torneiras que recebem o recurso hídrico distribuído por oito caminhões-pipa da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec). Dezenas de veículos do tipo estão presentes nas ruas da cidade. É um vai e vem intenso. Homens com baldes nas mãos, levando água para os moradores.

Operação

A maior parte das famílias de Pereiro depende da água distribuída por caminhões-pipa. A água vem de longe, do Castanhão, distante cerca de 100 km. Na zona rural, o serviço é feito pela Operação Pipa, sob o comando do Exército brasileiro. São 19 veículos. Escolas, hospital e outras instituições públicas recebem água por meio de dois carros contratados pela Prefeitura, além de um caminhão-pipa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Não tem sido fácil a vida dos moradores de Pereiro. Na zona rural, as cisternas que acumularam água da chuva já secaram. A nossa salvação são esses caminhões. Aqui tá tudo seco, açude, barreiro, falta água para os animais e para a gente beber, cozinhar e tomar banho, dispara o agricultor Alexandre Costa.

Na cidade, as famílias acordam cedo para retirar água das caixas. Se não vier logo, pode acabar, pontuou a aposentada Francisca Medeiros da Silva. Aí só no outro dia, complementa.

O jeito é comprar água de melhor qualidade para cozinhar os alimentos e beber. Um balde de 20 litros, por exemplo, custa R$ 2. Vem de um poço chamado de Tomé Vieira. Mil litros custam R$ 20. Os caminhões faturam alto e um deles têm seis entregadores. A água é limpa, tratada, garante o vendedor.

Maria Madalena Santos tem casa no entorno do Açude Adauto Bezerra. Quando o açude está cheio a água encosta no muro do quintal. Era bonito ver tudo cheio, mas faz tempo que está assim, seco, sem uma gota de água, lamentou.

A Cagece perfurou sete poços tubulares na bacia do Adauto Bezerra, mas a vazão é reduzida, suficiente para atender apenas 20% dos usuários. Sem água nas torneiras, muitos moradores decidiram solicitar o corte no fornecimento.

Uma alternativa esperada há mais de dois anos é a adutora que deveria fazer a captação de água no Rio Jaguaribe, na localidade de Mapuá, e ser bombeada por estações até vencer a altura da serra e chegar à Estação de Tratamento de Água (ETA) da Cagece. A obra foi contratada pelo Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs), mas a empresa não concluiu o serviço.

Canos instalados ao lado da rodovia que dá acesso a Pereiro foram quebrados e estão com interligações incompletas. O Dnocs fez nova licitação e contrato. Uma placa recém-instalada indica que a obra da adutora foi retomada no último dia 3 com o custo de R$ 4,9 milhões. Novos canos já chegaram à cidade. Tivemos reunião recente com o diretor do Dnocs, aqui na cidade, que disse que a adutora, finalmente, será concluída em até seis meses, frisou o chefe de Gabinete da Prefeitura, Luciano Santos. Precisamos da conclusão dessa obra.

O diretor da Cagece, Hélder Cortez, disse que a obra da adutora é esperada há mais de dois anos e que é a melhor solução para acabar com a crise de abastecimento de Pereiro.

Se faltar água no Orós, vamos fazer poços no leito do Rio Jaguaribe, em Mapuá, explicou. Por lá, também vai passar a água oriunda da transposição das águas do Rio São Francisco, no futuro, ainda incerto.

 

 

Fonte: Tv Jaguar / Diário do Nordeste

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