TV Jaguar

Postado em 09/03/2020 às 08:00:00

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Setor produtivo se mobiliza para vinda de laboratório do leite

Setor produtivo se mobiliza para vinda de laboratório do leite

Visita da ministra da Agricultura pode fortalecer o movimento para credenciamento de laboratórios locais, já que o único que existia no Nordeste foi descredenciado em 2017.

O setor produtivo do leite, no Ceará, está encabeçando um movimento para credenciar, no estado, um laboratório que irá compor a Rede Brasileira de Laboratórios de Controle da Qualidade do Leite (RBQL). Hoje, produtores do Ceará e de outros estados do Nordeste são obrigados a encaminhar as amostras de sua produção a laboratório de Goiás e São Paulo, porque o Laboratório de Qualidade do Leite (Progene), da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), único no Nordeste, foi suspenso pelo Ministério da Agricultura em agosto de 2017. Produtores e representantes de órgãos ligados ao setor no Ceará pretendem encaminhar a proposta à ministra da Agricultura, Teresa Cristina, que se encontra, hoje, em Fortaleza.

Atualmente, em todo o país, são 10 os laboratórios que compõem a rede RBQL. A rede é um conjunto de laboratórios distribuídos em áreas geográficas de abrangência estratégica, com a finalidade de monitorar e, dessa forma, contribuir para o aperfeiçoamento da qualidade do leite, em consonância com os objetivos do Programa Nacional de Melhoria da Qualidade do Leite (PNQL) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). 

O superintendente regional do MAPA no Ceará, Francisco Milton Holanda Neto, diz que o setor produtivo cearense conta com total apoio do MAPA que é sensível a essa questão por entender a dificuldade da cadeia produtiva no envio de amostras para estados como Goiás e São Paulo. “Algumas entidades demonstraram interesse em se credenciar, como a própria Faculdade de Tecnologia Centec (FATEC Sertão Central), em Quixeramobim, que é um ente estadual, além da Fundação Edson Queiroz por meio da Universidade de Fortaleza (Unifor)”, informa.

Logística

A logística é um fator importante a ser observado na escolha da cidade que irá receber o laboratório. Neto Holanda diz que ele deverá estar localizado onde houver maior facilidade de logística para o envio das amostras. Hoje, o Ceará possui 17 laticínios com o Serviço de Inspeção Federal (SIF), 77 com Serviço de Inspeção Estadual (SIE) e mais alguns com Serviço Municipal (SIM), segundo último levantamento feito pela regional do MAPA no estado. “Então, temos aí uma demanda gigantesca”, diz Neto Holanda.

Qualquer laboratório pode buscar o credenciamento junto a Coordenação-Geral de Laboratórios Agropecuários (CGAL) do MAPA, que é, hoje, o responsável pela gestão da Rede Nacional de Laboratórios Agropecuários. Compete à CGAL gerir, coordenar, alocar recursos, monitorar, auditar e definir diretrizes e estratégias para o funcionamento e operação da Rede como um todo.

Empresa privada

Por ser o laboratório uma empresa, o custo para implantação de uma unidade RBQL varia de acordo com a demanda de serviços, funcionários, local de instalação, depreciação de imobilizado, energia elétrica, coleta de resíduo, etc. O superintendente, no entanto, estima que o custo de implantação e custeio para o primeiro ano seja em torno de R$ 5 milhões.

O papel do MAPA é fiscalizar e auditar o Laboratório para assegurar sua manutenção dentro do atendimento dos padrões de conformidade dos laboratórios da rede RBQL ou suspender sua certificação. O MAPA não autoriza ou desautoriza o equipamento em si, apenas o seu credenciamento a rede RBQL.

Laboratório consolida Ceará como importante polo leiteiro do NE

Os produtores de leite do Estado do Ceará irão apresentar à ministra Teresa Cristina a dificuldade que o setor enfrenta hoje com a ausência de um laboratório da rede RBQL no Nordeste. A dificuldade principal é a de logística, pois os produtores e empresas precisam enviar amostras para o Sudeste ou Centro Oeste, uma vez que é uma exigência normativa. Diante desta dificuldade, a proposta de implantação (credenciamento) de um laboratório no Ceará visa atender toda a demanda do Nordeste, como era feito pelo Progene. Este seria o principal argumento levado na proposta.

Uma vez tendo um laboratório no Ceará, ele também atenderia parte da região Norte, já que apenas Rondônia possui um Laboratório, ficando o Ceará mais próximo para estados como o Maranhão e Pará. “Um laboratório da rede RBQL no Ceará também valida o estado como um importante polo leiteiro do Nordeste, além de servir como um atrativo para a implantação de novos laticínios no estado, e, consequentemente, aumentando a demanda por leite e fortalecendo e ampliando a cadeia produtiva. Com isso o produtor vai ter que produzir mais, o mercado vai remunerar melhor, o estado arrecadará mais, e o consumidor terá maior oferta de produtos de qualidade na prateleira”, diz José Milton Holanda Neto, superintendente regional do MAPA.

Neto Holanda lembra ainda que a queixa dos produtores locais não se refere à demora no recebimento dos resultados das amostras enviadas. O que demora é o tempo gasto no envio da amostra ao laboratório mais próximo. São, aproximadamente, de 3 a 4 dias de viagem terrestre, pois a remessa por via aérea é inviável para o produtor devido ao custo e o elevado fluxo de amostras enviadas. “Esse tempo de viagem quase sempre compromete a amostra, e ela chega quase sempre fora das conformidades no laboratório, obrigando o produtor ou a empresa rural a enviar outra amostra, e isso vai se tornando um ciclo. Enfim, é um grande problema técnico, além dos gastos financeiros com o envio de amostras para São Paulo”, afirma Neto Holanda.

 

 

Fonte: Tv Jaguar / rebeccafontes@ootimista.com.br

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