TV Jaguar

Postado em 14/07/2020 às 06:00:00

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O FIM DA VELHA POLÍTICA DE MORADA NOVA

O FIM DA VELHA POLÍTICA DE MORADA NOVA

É com muita alegria que recebi a notícia de que Kátia C. Oliveira — professora da Uece/Fafidam — lançou a sua pré-candidatura à eleição para a Prefeitura Municipal de Morada Nova. Apesar de não conhecê-la pessoalmente, acredito que esse movimento organizado em torno da sua pré-candidatura é um marco sem precedentes na história eleitoral da nossa querida cidade. No entanto, para aceitar ou negar essa conclusão, é preciso entendê-la a partir de suas premissas ou fundamentos.

A primeira premissa para se construir uma visão adequada sobre essa questão é compreender que a participação eleitoral de Kátia está além do seu enquadramento como uma representante do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Não se trata de esconder o seu partido, mas de singularizar o que a sua inserção concebe no específico campo político de Morada Nova, uma cidade dominada há várias décadas por grupos políticos ligados a famílias tradicionais.

Em outras palavras, isso significa que o debate envolto à sua pré-candidatura não se limita a um conflito entre socialismo vs. capitalismo, pobres vs. ricos, trabalhadores vs. empresários, ou qualquer espécie de antagonismo pejorativo que costumamos ver por aí. A sua pré-candidatura é mais do que isso, pois ela é sobretudo o símbolo de uma nova forma de fazer política. Infelizmente, nos acostumamos com a estrutura de politicagem típica de Morada Nova, baseada na compra de votos, distribuição de cargos comissionados por acordos espúrios, entre outras diversas situações que se chocam com a moralidade da administração pública.

Eis o que não deve ser desconsiderado pelos eleitores de Morada Nova: o aspecto moral. Não adianta criticarmos a corrupção e lamentarmos as mazelas sociais se não nos orientamos, ainda que minimamente, para um sentido que aponte para a direção contrária daquilo que causa esses problemas. É fácil? Não. Cada habitante de Morada Nova tem pelo menos uma ligação indireta com essa forma histórica de se fazer política, seja um beneficiário direto ou alguém que tem parentes envolvidos.

É importante destacar que não estou ojerizando aqueles que por tantos anos fazem isso ou que apoiam esse modelo politiqueiro. A questão é que não é impossível mudar. A mudança não é uma utopia. E aqui reside a segunda premissa, pois o que comumente se rotula como utópico carrega, concretamente, uma enorme capacidade de gerar desconforto em determinados interesses individuais. A utopia nada mais é do que um termo pejorativo e sem embasamento. Tanto é verdade que o estamento político é um fenômeno histórico, e como consectário lógico, não pode ser considerado imanente ao ser humano ou ao conjunto de relações sociais. A consequência disso é simples: o que é hoje pode não ser amanhã. Portanto, essa pecha de utópico não cabe em relação à pré-candidatura de Kátia.

A terceira premissa que quero levantar aqui diz respeito ao fato de que não adianta cobrarmos a apresentação de um enorme projeto de governança. Projetos já tivemos demais. O que tem faltado parece ser uma gestão pública independente, pautada em compromissos reais com o povo. De nada adianta dizer e não fazer. Certamente, isso tem sido comum não só em Morada Nova, mas no Brasil de uma maneira geral. Sendo assim, essa abordagem pragmática não representa o real sentido desse movimento organizado sobre o qual estou me referindo.

Se não representa o real sentido, então qual é esse sentido? Sem dúvida, é o de negar a velha política, de se colocar contra a sua vigência, de enterrá-la como fenômeno histórico responsável pelo subdesenvolvimento de Morada Nova. Essa é a principal questão, o que constrói, juntamente com as outras premissas abordadas, a conclusão deste texto.

Ressalte-se: A conclusão não é que devemos votar em Kátia. Não estou pedindo voto para ela, muito menos estou atribuindo-me como seu eleitor. A questão conclusiva se funda no entendimento de que, a favor ou contra a sua pré-candidatura, precisamos aceitar a sua importância histórica e, desse modo, refletir sobre o caminho que queremos trilhar e nossas próprias concepções morais — se estamos agindo corretamente, por exemplo.

Afinal, o livre arbítrio é uma condição sintomática de nós, seres humanos. No entanto, precisamos ser conscientes das nossas escolhas e, mais do que isso, admitirmos suas consequências. Se a nova política existe, fica a pergunta: “E você, quer a continuidade ou o fim da velha política?”.

Por: Valter Guerreiro Raulino Neto, advogado

 

 

Fonte: Tv Jaguar

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