TV Jaguar

Postado em 16/05/2017 às 08:00:00

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Acampados do Assentamento Zé Maria do Tomé recebem apoio de instituições e sindicatos

Acampados do Assentamento Zé Maria do Tomé recebem apoio de instituições e sindicatos
Fotos: Dhiego Raulino

Os acampados do Assentamento Zé Maria do Tomé conseguiram reagendar a data da reintegração de posse que estava prevista para o último dia 15, para o dia 8 do mês de junho. Com essa medida os acampados conseguiram mais tempo para lutar pelas terras da II etapa do perímetro irrigado Jaguaribe Apodi.

A ação na Chapada do Apodi visa lutar contra o modelo implantado pelo agronegócio, contra a utilização de agrotóxicos que envenenam a água, alimentos e causam doenças. Nesses três anos de luta já foram conquistados 1.700 hectares para o assentamento das famílias acampadas, a criação de uma Portaria Interministerial que institui um grupo de trabalho para elaborar e acompanhar a implantação de propostas que definam os critérios de acesso, o modelo de gestão para ocupação, regularização fundiária e apoio a desenvolvimento da produção de agricultores familiares no perímetro irrigado Jaguaribe Apodi no Estado do Ceará, na área de 1.700 hectares destinada ao cumprimento e atualização do Termo de Ajuste de Conduta – TAC. Além do apoio nacional e internacional de organizações e movimentos sociais ao Acampamento Zé Maria do Tomé- MST.

O acampado Manoel Lito pede que “a sociedade se mobilize e nos apoie porque nós aqui não estamos fazendo nada de errado, nasci e me criei na Chapada do Apodi, estou com três anos no acampamento Zé Maria do Tomé, estamos produzindo e nós esperamos que realmente a sociedade junto aos governos consiga retirar essa reintegração de posse, porque não temos condições de deixar nossa comunidade, não temos pra onde ir. O Governo Federal esteve aqui por meio do DNOCS e do INCRA, o que nos deixou mais revoltados, porque nós passamos uma semana demarcando as terras com esses órgãos e com pouco tempo o DNOCS pediu a reintegração de posse. Então nós nos sentimos lesados e isso é revoltante, é bom que a sociedade saiba disso. Nós não iremos sair daqui, não temos pra onde ir. Nós sobrevivemos do que produzimos aqui. Tem quase 100 famílias que sobrevivem do acampamento. Então, eu peço encarecidamente que toda sociedade possa nos apoiar”.

“A universidade sempre apoiou os movimentos sociais do vale do Jaguaribe e isso já tem uma tradição no mínimo de uma década de atuação da Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos (FAFIDAM) que é uma unidade da Universidade Estadual do Ceará aqui no Jaguaribe. Então essa relação dos movimentos sociais, o apoio ao movimento camponês tem sido uma trajetória da instituição e hoje nós estamos aqui de forma simbólica para representar toda essa história da universidade, da FAFIDAM na luta e na defesa de uma agricultura cidadã, de uma agricultura sem veneno, de uma agricultura que possa ser sustentável,” afirma Hidelbrando Soares, Vice-Reitor da UECE.

“Já vivíamos tempos muito difíceis com relação a esses movimentos dos sem terra e avaliamos que agora com esse governo golpista - usurpadores dos direitos dos trabalhadores - avaliamos que com certeza esses movimentos serão ainda mais perseguidos e mais coagidos. Em face de toda essa conjuntura, de todo esse desmonte dos direitos dos trabalhadores da cidade e do campo, nós que somos do Sindicato dos Servidores Públicos Federais (SINTSEF) que defendemos o serviço público de qualidade, estamos aqui para prestar também a solidariedade e todo o apoio necessário a esses companheiros do assentamento que leva o nome de uma pessoa que foi dessa luta, que faleceu, derramou o sangue em prol dos movimentos, portanto, o SINTSEF está apoiando essa luta. Tenho certeza que com a união de todos seremos vitoriosos,” diz, Raimundo Santiago, Sindicato dos Servidores Públicos Federais.

“O mandato popular do professor Washington está à disposição do acampamento Zé Maria do Tomé. A gente sabe que as mais de 100 famílias que estão aqui, estão resistindo, ocupando, produzindo, estão gerando vida e estão lutando contra o agronegócio na questão da incidência do veneno, que envenena o solo, envenena as águas. A gente pede como parlamentar a sensibilidade do DNOCS pra que reveja essa posição, essa terra é do Governo Federal, não está atrapalhando em nada a parte da FAPIJA que está colocando isso a disposição do DNOCS. Pedimos encarecidamente que todas as autoridades do nosso Estado que revejam essa posição de injustiça contra essas famílias que estão aqui ocupando e resistindo pela luta da terra,” ressalta o vereador Washington.

O ato de solidariedade realizado na manhã da última segunda-feira, 15, por centrais sindicais, instituições estaduais e municipais, movimentos sociais defendeu a permanência dos acampados do “Assentamento Zé Maria do Tomé” e demonstrou que a luta em defesa da terra, da vida e pela construção da Reforma Agrária Popular não vai parar entanto não houver a suspensão da reintegração de posse.

 

 

Fonte: TV Jaguar/ Jana Soares

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