TV Jaguar

Postado em 28/07/2016 às 06:00:00

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Professores em greve do vale do Jaguaribe exigem respeito do governo Camilo e repudiam reajuste zero

Professores em greve do vale do Jaguaribe exigem respeito do governo Camilo e repudiam reajuste zero
Ilustrativa/google

No domingo anterior, dia 17 de julho, por ocasião da vinda do governador Camilo Santana (PT) a Limoeiro do Norte para inauguração da rodovia Avenida do Contorno, professores em greve da rede estadual de ensino de alguns municípios da região e estudantes, unificados com servidores municipais de Limoeiro e representantes da FAFIDAM manifestaram seu repúdio ao governador que, dia 06 de junho anunciou reajuste zero aos professores estaduais, cuja greve já beira os 90 dias.

E, ao contrário do que foi noticiado pela mídia local, o grupo de professores compôs uma comissão de 6 representes para buscar uma audiência com Camilo (que, diga-se de passagem, repetiu em seu discurso, estar sempre aberto ao diálogo) que, simplesmente, negou-se a receber a referida comissão, que permaneceu em protesto, sob um sol escaldante, até o final do evento, quando o governador, ao invés de conversar com os professores como combinado, achou mais interessante “passear” de bicicleta na rodovia recém-inaugurada.

Importante ressaltar ainda que, ao contrário do que costuma alegar o governador Camilo, quando afirma que não há recursos para investir na Educação, porque há uma crise, constatamos que o Ceará possui uma das maiores arrecadações do país, está com suas contas em dia e ainda negociou com o governo golpista de Michel Temer a suspensão de parte do pagamento da dívida com a União até 2017, além de ter conseguido obter um empréstimo relevante de 1 bilhão de reais. Também podemos acrescentar a essa lista, a descabida isenção de impostos concedida pelo governo estadual a empresários nacionais e estrangeiros de 1,5 bilhão de reais.
E diante destes dados, surgem algumas indagações acompanhadas de uma Justa indignação: A Educação é de fato prioridade para este governo? Por que, até hoje, este governo nega-se veementemente a sequer apresentar uma contraproposta de reajuste salarial aos professores e outras categorias em luta? E porque só nós, trabalhadores, somos chamados a pagar por uma crise que não foi criada por nós?

Aos 90 dias de greve da Educação, já ao final de um mês de julho, costumeiramente mês de férias, mas que foi convertido em um MÊS DE GREVE, em um JULHO DE LUTAS, ao menos pelos professores em greve e estudantes que permanecem ocupando as mais de 60 escolas no Ceará, dos quais só podemos nos orgulhar e saudar por resistirem na luta, assim como têm resistido bravamente às ameaças e ao assédio e outros estratagemas utilizados pela máquina estatal para intimidar e, por vezes, criminalizar os que lutam.

Aos 90 dias de greve, também é verdade que há um cansaço generalizado dos vários segmentos que constroem este forte movimento: de uma valorosa vanguarda de professores e estudantes que têm sustentado e garantido esta luta com todo o empenho e a coragem necessários, bem como, dos pais que aguardam impacientes o retorno de seus filhos à sala de aula, com toda a razão que lhes cabe!

Por outro lado, é preciso destacar que também estamos cansados de tanto descaso e demagogia para com a Educação durante todos os anos letivos que vivenciamos, assim como, com as demais áreas sociais _ Saúde, Moradia e Segurança, que, diga-se de passagem, é sempre tratada como questão de mero aparato militar _ e que somente são prioridades em discursos de palanque ou em períodos eleitorais, como agora.

Os pais, por sua vez, devem também estar cansados de ver seus filhos estudarem em escolas sucateadas e com material escasso, muitas vezes, mantido com recursos da própria comunidade; estamos deveras cansados de ter que lutar por direitos básicos, como merenda escolar de qualidade (ainda no mísero valor de 0,38 por aluno), transporte escolar de qualidade e salário digno para todos os que se dedicam todos os dias de suas vidas a educar pessoas e produzir conhecimento (ah, mas, já ia esquecendo: conhecimento não dá lucro!). Estamos, sim, cansados de vermos nossos colegas temporários serem “descartados” a cada período e os ambientes escolares serem reduzidos ou desativados, ao invés de serem melhorados, como ocorreu no último dia do ano de 2015, com a Portaria 1169; estamos muito cansados de buscar uma consulta ou um exame pelo nosso plano de Saúde e Previdência do Estado _ O ISSEC – e, quase sempre, sermos barrados bem na recepção da clínica, por falta de cotas; e por fim, estamos cansados de toda semana, durante esses meses de greve, nos deslocarmos até a capital para ouvir da direção do Sindicato em Assembleia Geral da categoria nenhuma contraproposta salarial decente da parte deste governo.

Porém, precisamos reafirmar, com toda a convicção, que ESTAMOS BEM MAIS DISPOSTOS do que cansados, dispostos a lutar, sem tréguas, para fazer com que essa situação se reverta, se não em novas conquistas, ao menos, na manutenção dos nossos direitos já conquistados a duras penas, como é o caso do cumprimento da nossa Data-Base, que é fixada em 1º de janeiro, quando o governo deveria nos ter repassado o reajuste salarial que, no caso, somente deve repor parte da perda salarial de uma inflação que já atinge 16%.

Urge pois, que haja uma mudança de postura imediata por parte deste governo, que tem se mostrado notadamente insensível e intransigente: que este passe a dar alguma atenção para a Educação, começando por cumprir a lei da data-base dos professores, garantindo assim, respeito e dignidade, não apenas aos estudantes e trabalhadores da Educação, mas, a todo o povo cearense, que também faz parte desse processo e dos qual precisamos continuar tendo todo o apoio necessário para que nossa luta por Educação de Qualidade seja vitoriosa.

Nota do Coletivo dos professores em greve do Vale do Jaguaribe

 

 

Fonte: Tv Jaguar - Redação

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