TV Jaguar

Postado em 21/10/2018 às 06:00:00

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Eunício Oliveira em entrevista ao Jornal opovo: "Eu quero contribuir com o governo Camilo"

Eunício Oliveira em entrevista ao Jornal opovo: "Eu quero contribuir com o governo Camilo"

Na primeira entrevista que concede depois do primeiro turno das eleições, o emedebista afirma que pretende contribuir com o governador Camilo Santana (PT), de quem se reaproximou meses antes da corrida eleitoral. Questionado se descarta concorrer a nova eleição, o parlamentar filosofou: "Alguém disse que a política é a única forma que você tem de nascer e morrer várias vezes".

O POVO - O senhor manteve uma agenda intensa em Brasília com o governador Camilo Santana (PT) nesta semana. Como foram esses dias?

Eunício Oliveira - Temos várias pendências em relação a recursos para o Ceará. Eu disse para o governador que, até o último dia, e enquanto tiver forças, vou continuar trabalhando para agradecer ao povo do Ceará. Dois dias depois das eleições, estava liberando 50 milhões de dólares para Sobral. O governador tinha preocupação com recursos para custeio para a saúde. Fizemos reunião com o ministro (da Saúde), e ficou tudo bem, resolvemos tudo. Depois tinha preocupação com estradas federais, que estão no Ceará. Acertamos algumas, como a 230, que passa em Lavras. São várias estradas que serão recuperadas a partir de novembro. Havia também a preocupação com recursos para o Anel Viário. O governador tinha uma preocupação com a questão de um terreno na Praia de Iracema, que é dos Correios. O governo tem interesse nele por causa de uma área que pega o Acquario.

OP - É terreno para cessão?

Eunício - Sim, para cessão. E o Governo Federal concordou. O ministro Kassab (das Cidades) concordou. Camilo tinha preocupação com o Minha casa, minha vida. Também queria amarrar recursos para o metrô de Fortaleza. Então fizemos R$ 1 bilhão de empréstimo e os R$ 675 mil, que seriam a contrapartida do Ceará no contrato, entraram como parte do Orçamento da União. Havia pendência também para o Cinturão das águas, pequenas adutoras, várias obras e outras coisas menores. Tudo isso soma R$ 54 milhões. São coisas nas quais eu venho ajudando o Estado. Tem dois outros empréstimos grandes, que estão na Fazenda (ministério). Estão bem encaminhados. Tem uma área da aeronáutica. Discutimos ainda questões orçamentárias para os recursos do Estado, como, por exemplo, mais 200 areninhas para o Ceará.

OP - Quando são liberados os recursos para o Centro de Inteligência no Estado?

Eunício - Eu aprovei a MP (Medida Provisória) que regulamentou a criação e a estrutura do Ministério da Segurança ontem (quarta-feira). Com isso garantimos recursos para construção de dois novos presídios no Ceará e a instalação do Centro Integrado de Segurança Pública.

OP - Mas quando o dinheiro sai?

Eunício - Os recursos estão garantidos, a partir de 2 ou 3 de novembro. Durante esse mês, há garantia de que esses recursos serão liberados.

OP - Esse périplo por Brasília com o governador sinaliza que o senhor pode vir a fazer parte do governo Camilo em 2019?

Eunício - Eu quero contribuir com o governo Camilo. Como o orçamento será feito por mim, quero deixar tudo com recursos garantidos. Pra ajudar. Esse é o melhor. É como disse o Raul Jungmann, que me abraçou, chorou literalmente comigo quando soube da derrota (de Eunício para o Senado)... Meu compromisso é com o Estado. É como eu disse naquele dia. Vou me recolher à vida privada, mas vou continuar contribuindo.

OP - Mas o governador sugeriu em coletiva que o senhor tem muito a fazer pelo Estado ano que vem.

Eunício - Mas aí é uma gentileza do governador. Minha preocupação é ajudar de lá pra cá. Nenhum estado do Brasil recebeu tantos recursos do Governo Federal como o Ceará nesses últimos meses. E acho que temos um impasse porque não temos um nome consensual para dirigir a Casa. Estou ainda avaliando como vai ser a nossa sucessão. Eu teria mais dois anos de presidência (do Senado). Vamos ver como reorganizamos.

OP - O senhor não conseguiu se reeleger. Como o senhor avalia o resultado da eleição?

Eunício - Resultado é resultado de eleição. Democracia é assim. A população é assim. É democrática. É a regra da democracia.

OP - Camilo disse que tinha ficado surpreso com a sua derrota.

Eunício - Honestamente, até agora, não só o Camilo, mas todas as pessoas que acompanharam a campanha ficaram surpresas, porque as pesquisas internas apontavam noutra direção. A própria Rede Globo, na noite anterior à eleição, publicou pesquisa que confirmava todas as outras feitas de campo e de tracking. E elas me davam vantagem. Mas, no domingo, fomos todos surpreendidos pelo resultado. Todos vocês, mais bem informados do que eu, sabem o que aconteceu.

OP - O senhor descarta então assumir algum cargo público no Governo do Estado?

Eunício - Eu saí das empresas em 1998, quando me tornei parlamentar. Não quero mais essa rotina. Eu sou da direção nacional do partido (MDB). Vou fazer política partidária a partir do ano que vem. Quero acompanhar todo o trabalho do Congresso. O que me deixa muito tranquilo é que todas as pessoas, todos os senadores que estão no exercício, e até alguns novatos que chegaram, estão surpresos (com a derrota). E agora, quem concilia a Casa? Eu distribuía relatoria com todos os senadores. Como isso será regido? E por quem será regido? Espero que por alguém melhor que eu. E assim: me perdoe a falta de modéstia, mas isso me dá a sensação de dever cumprido.

OP - O senhor descarta voltar a disputar uma eleição?

Eunício - Alguém disse que a política é a única forma que você tem de nascer e morrer várias vezes. Não posso dizer que não vou mais disputar. Neste momento, vou me recolher. Vivi 20 anos dedicados à causa pública. Ate o final do mandato. Não é uma despedida, mas é uma obrigação que tenho com o mandato. Dediquei 20 anos de minha vida a isso. Vou fazer um misto, olhar um pouco mais pra família. Comemorar os aniversários, os casamentos. Vou continuar a contribuir com meu Estado. Vou mesclar minha vida.

OP - Durante evento pró-Haddad no Ceará na última segunda-feira, o senador eleito Cid Gomes (PDT) disse ter convidado a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) para concorrer ao Senado pelo Ceará, mas o convite foi barrado por Lula, que desejava reeleger o senhor no Estado. O senhor tomou conhecimento disso?

Eunício - Eu tive conhecimento, sim. O presidente Lula mandou até um emissário na minha casa em Brasília para afirmar isso. Um foi o senador Lindbergh (Farias, do PT). E o outro foi o Walfrido dos Mares Guia (empresário e educador).

OP - Que outro cargo público o senhor gostaria de ocupar na vida?

Eunício - Eu acabei de disputar uma eleição que eu queria, o Senado. É uma Casa boa. Sempre gostei muito da vida parlamentar, que é um lugar onde você dialoga buscando a convergência. Eu me considero um democrata. Tenho pavor dos extremos, tanto de direita quanto de esquerda. Ditadura de esquerda não presta nem da direita.

OP - Como o senhor projeta este segundo turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT)? Mantém apoio ao petista? Acredita numa virada?

Eunício - Eu sou exemplo disso. Tinha 43% no Ibope contra 16% do adversário no sábado à noite. E, no domingo, perdi a eleição. Ninguém tem eleição ganha. E nem eleição perdida. E a população resolveu fazer uma troca de nomes. Vamos aguardar. Não sou de oportunismos. Sou de manutenção de posicionamento. Tinha dito antes que iria votar no presidente Lula e que votaria no candidato que o Lula indicasse. Vou manter minha coerência. E depois vou tentar fazer a convergência e lutar para que o Brasil continue democrático.

OP - O MDB seria oposição a um governo Bolsonaro?

Eunício - Eu defendo que o MDB se reinvente. Para isso, tem que sair desse governismo. Não precisa ir para uma oposição radicalizada. Eu acho que tem que ter posição de independência (em relação ao futuro governo), de apoiar o Brasil, de ter a liberdade de votar contra aquilo que não seja de interesse do País.

VOTOS

Eunício Oliveira recebeu 1.313.793 votos, equivalente a 16,93%. Ele perdeu a segunda vaga em disputa para Eduardo Girão (Pros) que conquistou 17,09% dos votos.

 

 

Fonte: Tv Jaguar / jornalopovo

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