TV Jaguar

Postado em 10/01/2019 às 10:00:00

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Município de Jaguaribe usa projeto para recuperar área em processo de desertificação.

Município de Jaguaribe usa projeto para recuperar área em processo de desertificação.
FOTO HONÓRIO BARBOSA

Depois de seis anos, o projeto de recuperação de solo em curso na localidade de Brum, zona rural de Jaguaribe, apresenta bons resultados. São tecnologias simples que foram implantadas.

A unidade é referência, atrai técnicos, estudantes, produtores e tornou-se área de estudo por universidades.

No Semiárido nordestino, o Estado mais degradado é o Rio Grande do Norte (12,87%), seguido do Ceará (11,45%) e em terceiro, a Paraíba com 8,12%. Atualmente, as regiões cearenses mais atingidas são os Inhamuns, Médio Jaguaribe e parte do Centro-Norte, onde está localizado o Município de Irauçuba e seus circunvizinhos.

Os dados são da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), que tem em andamento pesquisas e projetos de recuperação do solo. O Ceará é o mais susceptível a esse fenômeno, embora não esteja no topo da lista, explica a pesquisadora da Funceme, Sônia Perdigão. A classificação segue a convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) e a vulnerabilidade decorre do clima Semiárido nordestino.

Em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, o projeto de recuperação de solo foi implantado há seis anos, na localidade de Brum, que apresenta um solo degrado. A camada superficial, em torno de 20 cm, já foi embora e fragmentos de rocha são facilmente visíveis.

O experimento em Brum mostra que é possível reverter a degradação ambiental, pontua Sônia Perdigão. O nosso esforço é divulgar o programa e prevenir avanços na deterioração do solo em outras áreas, completa. O Ceará apresenta mais de 11% de seu território com áreas degradadas em processo de desertificação. Isso é preocupante, frisa a pesquisadora da Funceme. Estamos buscando novas parcerias para ampliar o projeto.

As próprias condições do solo no Semiárido, a ação do vento, as práticas agropecuárias inadequadas, queimadas e o desmatamento contribuíram para a degradação ambiental.

Recuperação

Em Brum ainda é visível o processo de erosão e a perda da camada fértil do solo. Mas em uma área de cinco hectares renasce a esperança. Morador da região, Francisco Nogueira Neto, o Neto do Brum, é um dos adeptos e defensor de novas práticas de manejo sustentável. Ele é uma espécie de guardião do projeto.

Olha aqui um novo morador, aponta, entusiasmado, Neto do Brum para um pequeno pé de pereiro que nasceu e está com cerca de 20 cm. Com alegria, mostra toda a área e explica as novas tecnologias conservacionistas: pequenos barramentos de madeira e de pedras, sulcamento, curvas de nível, colocação de matéria orgânica (esterco, folhagem, sementes, camada superficial do solo).

A gente criou gado, plantou algodão, feijão, fez tudo errado, desmatando, queimando, agredindo o solo, disse. O estrago foi grande, mas hoje estou conscientizado e aprendi com o passar do tempo, diz o agricultor.

Ao lado da área que está sendo recuperada foi mantida uma unidade em estado de degradação. A comparação é visível. Há poucas árvores e ausência de capim, mesmo no período chuvoso.

Na área em recuperação, as árvores já crescem e impedem a visão das casas da localidade, da capela de São José, no sopé da Serra do Pereiro que divide o Ceará do Rio Grande do Norte. Essa paisagem já mudou muito nesses seis anos e vai ficar melhor ainda. O homem destruiu, mas pode recuperar, diz Neto.

 

 

Fonte: TV Jaguar / Diário do Nordeste

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